O que é Cosmofobia e por que precisamos enfrentá-la agora
Você já ouviu falar em cosmofobia? O pensador quilombola Nêgo Bispo define o termo como “o medo do cosmo do outro”.
Mais do que um conceito, é uma denúncia: a forma como o projeto colonial apagou e silenciou os modos de vida indígenas, africanos e quilombolas.
Falar sobre cosmofobia é questionar o imaginário colonial que ainda molda nossa forma de ver o mundo e abrir espaço para reconhecer outros saberes, outros tempos, outras existências.
Ler sobre cosmofobia é um convite a repensar o que chamamos de civilização e a aprender com quem sempre soube viver em harmonia com a terra.
“Cosmofobia é o medo do cosmo do outro.”
O pensador quilombola Nêgo Bispo usa esse conceito para explicar como o projeto colonial europeu criou medo, rejeição e apagamento dos modos de vida não ocidentais. Isso inclui os saberes e modos de existência indígenas, africanos e quilombolas, que há séculos mantêm outras formas de se relacionar com o tempo, a terra e o sagrado.
Segundo o IBGE (2022), o Brasil tem mais de 6 mil comunidades quilombolas certificadas e mais de 1,7 milhão de pessoas indígenas pertencentes a mais de 300 povos diferentes. Ainda assim, a maioria vive sem acesso pleno a políticas públicas básicas, como saúde, saneamento e educação.
Esse apagamento é também cosmofóbico: uma recusa em reconhecer outros cosmos, outras maneiras de viver e compreender o mundo.
Falar de cosmofobia é denunciar a colonização do imaginário. É lembrar que a modernidade ocidental não é o único caminho. Existem muitos mundos possíveis dentro deste mesmo mundo.
Combater a cosmofobia é praticar o respeito radical à diferença. É ouvir, coexistir e reconhecer a sabedoria ancestral dos povos que aprenderam a viver em harmonia com a terra muito antes da colonização.