Itinerário 1

ÁFRICA: MUITO ALÉM DE UMA HISTÓRIA ÚNICA

TEMA: A história da África e dos povos africanos e quilombolas para além do que narram os livros didáticos.

 

COMPONENTES CURRICULARES ENVOLVIDOS: História, Arte, Língua Portuguesa e Educação Física.

 

JUSTIFICATIVA

 

O modo como as nações que foram colônias europeias veem a África e seus povos, se baseiam em narrativas contadas pelos brancos europeus, os quais se colocam numa posição superior, subalternizando os povos originários e aqueles que um dia foram escravizados. Com isso, meninos e meninas negras veem o branco europeu como padrão de sucesso, de estereotipo de beleza, de cultura, menosprezando sua ancestralidade e seus traços fenotípicos. É preciso, pois, irromper com essa mentalidade diminuta dos povos negros e dos povos originários e criar situações que provoquem, que instiguem os alunos a buscarem outras narrativas sobre o continente africanos e seus diversos povos que não circulam nos materiais didáticos da chamada história oficial.

Pensando nisso, elaborei essa primeira SD foi nomeada África: muito além de uma história única e tem como base a palestra em vídeo ou o texto da palestra O perigo de uma história única da escritora nigeriana Chimamanda Adichie. É um material que já tenho o costume de usar em minhas aulas, que me despertou inúmeras reflexões quando assisti a palestra pela primeira vez e depois quando li o texto dessa mesma palestra. Pensei na mina experiencia como leitora, pensei na experiencia de meus alunos e como nossos olhares foram condicionados pelo pensamento eurocentrado.  E me pus a pensar em como somos parecidos com a Chimamanda, como durante anos aprendemos a ver apenas as narrativas eurocentrada e os padrões de beleza eurocêntricos como únicos. Foi assim que decidi que esse texto ou vídeo precisa fazer parte das minas aulas de História.

O texto “O perigo de uma história única”, para mim, é fundamental para a construção de uma educação antirracista, multicultural e valorizadora das identidades quilombolas, pois denuncia como as narrativas únicas — geralmente eurocêntricas e coloniais — reduzem e distorcem a diversidade das experiências humanas. Ao mostrar que o perigo da história única está em criar estereótipos e silenciar outras vozes, Adichie nos convida a reconhecer a pluralidade de saberes, culturas e modos de existir. Nesse sentido, sua reflexão inspira práticas pedagógicas que rompem com o epistemicídio e promovem o reconhecimento das histórias e memórias dos povos quilombolas como parte essencial da formação nacional. Assim, o texto de Adichie reforça a necessidade de uma escola comprometida com a justiça social, o respeito às diferenças e a valorização das identidades negras e quilombolas, promovendo uma educação que ensine a ver o mundo por múltiplas lentes e a ouvir as vozes historicamente silenciadas.

Prossiga com a leitura e veja como esbocei a sequência didática que você leitor pode adaptar de modo a deixar mais exequível para sua turma.

 

OBJETIVOS

  • Compreender o conceito de “história única” e suas consequências culturais e sociais;
  • Refletir sobre estereótipos e representações unilaterais de culturas e identidades;
  • Desenvolver habilidades de análise crítica sobre narrativas e mídia;
  • Promover o debate sobre pluralidade cultural e empatia.
  •  

TEMPO: 5 aulas (100 min cada aula)

ETAPAS:

Etapa

Atividade

Objetivo

Aula 1

Vídeo + sondagem

Sensibilizar e despertar interesse

Aula 2

Leitura e debate

Fundamentar conceito de história única

Aula 3

Estudo de casos

Conectar com contextos reais

Aula 4

Produção criativa plural

Empoderar com novas narrativas

Aula 5

Avaliação reflexiva

Consolidar e aplicar os aprendizados

 

 

 

RECURSOS DIDÁTICOS

§  Data show

§  Notebook

§  Caixas de som

§  Milho de pipoca;

§  Sacos para colocar a pipoca;

§  Cartolina;

§  Trechos da palestra fotocopiados;

§  Revistas, panfletos, imagens impressas;

§  Pilotos;

§  Caderno;

§  Caneta;

§  Computadores ou celulares;

§  Folha de Redação impressa.

Aula 1- Introdução e sondagem

§  Apresentação da proposta de trabalho;

§  Roda de conversa com os alunos sobre culturas, representações e estereótipos. Sugestões de perguntas para esse momento (pode usar todas ou selecionar as que achar mais relevantes):

 

 

*     Quando você pensa na África, quais imagens, palavras ou ideias vêm primeiro à sua mente?

*     Quais contribuições dos povos africanos e indígenas você conhece na formação da cultura brasileira (na comida, música, religião, língua, etc.)?

*     Você já viu em filmes, desenhos ou livros representações de africanos ou indígenas? Como essas imagens eram mostradas?

*     Na sua opinião, o que é um estereótipo? Você consegue lembrar de algum estereótipo sobre africanos, indígenas ou outros povos?

*      Você acha importante conhecer a história e a cultura dos povos africanos, indígenas e de outros grupos que fazem parte da nossa sociedade?

§  Registre as respostas dos alunos no quadro (tire foto do quadro) ou em um caderno e retome essas opiniões ao final da sequência didática;

§  Depois desse momento, distribua a pipoca e projete a palestra que tem duração de 18 minutos;

§  Forme grupos com  a quantidade de componentes que julgar adequado e entregue aos alunos uma folha de cartolina e peça que eles registrem o que sentiram ou o que lhes chamou atenção na Palestra de Chimamanda;

§  Cole a produção dos alunos na parede da sala e tire fotos de todos os momentos da aula.

 

AULA 2- Compreensão e síntese

§  Leitura coletiva de transcritos ou excertos adaptados do vídeo para reforçar compreensão;

 

§  Debate guiado a partir das seguintes questões:

  • O que é “história única”?
  • Quem a conta e por quê?
  • Exemplos no dia‐a‐dia, na mídia, na escola;
  • Você já leu algum texto literário cujo autor seja negro ou cujas narrativas tragam informações sobre a cultura negra e quilombola?
  • Em grupo, estabeleçam o conceito, com suas palavras, do que para o grupo é uma história única. Explique como esse conceito contribui na criação de estereótipos, invisibilização de vozes diversas.

AULA 3- Análise Contextualizada

§  Os mesmos grupos se reúnem para pesquisar exemplos de narrativas únicas em livros, filmes, notícias, redes sociais ou produções locais;

§  Depois da seleção das imagens, os estudantes podem montar um pequeno livro usando papel oficio (o professor pode expor a produção em um varal de leitura) ou fazer um post carrossel no Instagram apontando:

*      A “história única” identificada.

*      Suas consequências.

*      Outras perspectivas que poderiam existir;

*      Quais esportistas e artistas negros você conhece que desconstrói a história única, trazendo outras representações sobre o ser negro.

§  Os grupos apresentam suas produções e o professor promove o debate sobre pluralidade e representatividade.

 

Aula 4- Produção criativa: Combatendo a história única através das narrativas de meus ancestrais

§  Ao final da aula 3, o professor já pede aos alunos que busquem ouvir de seus avos e tios, pessoas mais velhas de sua comunidade, as narrativas sobre seus ancestrais;

§  Solicitar que eles tragam objetos antigos, fotos, receitas que contem a história de seus ancestrais;

§  Os estudantes nessa aula podem trazer pratos típicos e comidas do dia-a-dia, para que após a socialização das histórias, eles possam ter um momento de interação, de construção de vínculos afetivos mediados pela comida.

Aula 5- Com a boca no trombone: Avaliação e reflexão final

Proposta avaliativa final: Redação individual

  • Redação: Elabore um texto narrativo -uma escrevivência[1]- contando o como esse projeto impactou sua vida e mudou sua forma de pensar.
  • Professor, você pode usar as seguintes perguntas orientadoras para ajudar seus alunos a construírem o seu relato:

*     Quando a professora/o professeor apresentou o projeto MUITO ALÉM DE UMA HISTÓRIA ÚNICA o que você imaginou?

*     O que você entendeu que era história única?

*     Como essa história única impactou sua vida?

*     O que mudou em sua vida com esse projeto?

*     Como você passou a ver a África, os africanos e a si mesmo ao final do projeto?

 

 

AVALIAÇÃO:

§  Professor/a você é livre para estabelecer o valor de cada etapa do projeto, dependendo do modo como a instituição em que está inserido avalia;

§  Voce pode usar o padlet[2] para que seus alunos avaliem o projeto com uma palavra ou você pode criar um padlet físico com cartolina branca e post-it colorido. Peça a cada aluno que escolha uma palavra para avaliar o projeto;

§  Na aula seguinte, apresente um slideshow com as fotos tiradas de cada etapa do projeto ou um mural fotográfico ou se quiser pode criar um blog e postar as fotos das etapas do projeto. É importante pedir aos pais dos estudantes a cessão dos direitos de imagens dos estudantes para que as fotos possam ser postadas no blog.

 

REFERENCIAL:

 

§  Link do vídeo da palestra: https://www.youtube.com/watch?v=EC-bh1YARsc;

 

§  Link para livro com a palestra de Chimamanda Adichie na íntegra: https://share.google/ZxI7p0Xe4DdK1hnN2

 

 



[1] Termo criado pela autora negra Conceicao Evaristo para designar sua escrita a qual  une escrita e vivência, traduzindo a ideia de que sua produção literária nasce das experiências coletivas e individuais das mulheres negras. A autora afirma que não escreve a partir da imaginação pura ou do distanciamento, mas sim da memória, da ancestralidade, da dor, da luta e também da resistência de seu povo.

[2] Mural colaborativo acessado gratuitamente por meio do link: https://padlet.com/

 


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