Itinerário 3

 

ENTRE HISTÓRIA E CINEMA: CONHECENDO REINOS AFRICANOS

TEMA: História, memória e cultura africana e quilombola através de obras cinematográficas

COMPONENTES CURRICULARES ENVOLVIDOS: História, Arte, Língua Portuguesa (e Sociologia).

JUSTIFICATIVA

 

Nota-se uma necessidade de promover uma aprendizagem crítica e interdisciplinar no Ensino Médio. Ao articular História, Sociologia, Língua Portuguesa e Artes, possibilita-se uma leitura mais ampla sobre o protagonismo feminino negro e as formas de resistência ao colonialismo. O uso do cinema como recurso pedagógico favorece o engajamento dos estudantes e amplia as possibilidades de reflexão sobre a memória e a cultura africana. Além disso, a proposta contribui para desconstruir estereótipos sobre a África, fortalecendo perspectivas decoloniais. Ao estimular produções autorais, a sequência fomenta a valorização das identidades e a construção de saberes significativos.

Para essa terceira SD  eu escolhi o filme  “A Mulher Rei” (The Woman King, 2022), dirigido por Gina Prince-Bythewood. Eu já o usei como material didático, mas de uma forma mais simples, um pouco menos elaborada, pois quando assisti ao filme no canal de streaming Netflix já pensei que poderia usá-lo em sala de aula.

Esse filme traz uma poderosa narrativa inspirada em fatos reais sobre o reino de Daomé, na África Ocidental, e seu exército de mulheres guerreiras conhecidas como Agojie. A trama acompanha a general Nanisca, interpretada magistralmente por Viola Davis, que lidera suas companheiras na defesa de seu povo contra invasores coloniais e o tráfico de escravizados. O enredo combina ação, emoção e história, oferecendo uma representação digna e complexa da força, da espiritualidade e da resistência feminina africana, rompendo com estereótipos ocidentais de subalternidade e exotização da mulher negra. Lembro-me de ficar encantada com esse reino africano defendido por um exercito de mulheres fortes e corajosas.

Para mim, a obra constitui um importante instrumento para a educação antirracista e multicultural, ao valorizar as culturas africanas pré-coloniais e destacar o protagonismo de mulheres negras em processos históricos e políticos. Ao retratar a organização social, os rituais e os valores de solidariedade e coletividade do povo de Daomé, o filme ajuda a descontruir a visão eurocêntrica que costuma associar a África apenas à escravidão e à miséria. Em sala de aula, pode favorecer discussões sobre identidade, ancestralidade e representatividade, estimulando os estudantes a reconhecerem as contribuições dos povos africanos e afrodescendentes na formação da humanidade e da cultura brasileira.

Sob uma perspectiva decolonial, “A Mulher Rei” desafia as narrativas hegemônicas que invisibilizam o protagonismo negro e feminino, promovendo uma reinterpretação da história a partir do olhar dos sujeitos antes colonizados. O filme rompe com a lógica de dominação epistêmica ao apresentar uma estética, uma ética e uma política de resistência que reafirmam a potência dos saberes africanos. Assim, torna-se um recurso pedagógico valioso para pensar a educação como prática libertadora, comprometida com a justiça racial, a igualdade de gênero e a valorização da diversidade cultural.

 

 

OBJETIVOS:

§  Reconhecer a relevância histórica do Reino do Daomé e a atuação das mulheres Agojie;

§  Refletir sobre o protagonismo das mulheres negras em processos de resistência na África e no Brasil;

§  Desenvolver a criticidade em relação às narrativas coloniais e estereótipos sobre a África;

§  Estimular a produção autoral (escrita, oral ou artística) como forma de reelaborar saberes;

TEMPO: 5 aulas (100 min cada aula)

ETAPAS:

Etapa

Atividade

Objetivo

Aula 1

Roda de conversa

Sensibilizar e despertar interesse

Aula 2

Seção de Cinema

Exibição do filme

Aula 3

Debate Critico

Promover uma reflexão aprofundada sobre o papel das mulheres negras na história e na resistência ao colonialismo, a partir da análise do filme A Mulher Re

Aula 4

Construindo Conexões

Investigar aspectos históricos, culturais e políticos da presença africana e afrodescendente,

Aula 5

Culminância

Compartilhar com a comunidade escolar os saberes construídos pelos alunos.

 

RECURSOS DIDÁTICOS

§  Caderno;

§  Caneta;

§  Cartolina.

§  Computadores ou celulares;

§  Datashow;

§  Hidrocores;

§  Milho de pipoca;

§  Notebook

§  Sala de aula;

§  Saquinhos para pipoca;

§  Textos fotocopiados;

 

Aula 1- Apresentação do Projeto e Sensibilização

·        Apresentação da proposta de aula;

·        Roda de conversa:

·        “O que sabemos sobre a história da África antes da colonização?” com base no texto Impérios: grandiosidade e beleza[1].

·        Discutir as implicâncias que os termos reino e império tem quando são associados às civilizações africanas;

·        Exibição do trailer/cartaz do filme[2];

·        Solicitar aos alunos que comentem as impressões que tiveram a partir do trailer;

·        Orientação: assistir ao filme identificando temas como resistência, protagonismo feminino, escravidão e colonialismo.

Aula 2 – Exibição do filme

·        Exibição integral do filme;

·        Distribuir pipoca para os alunos;

·        Pedir que se reúnam em grupo e assistam em casa o filme novamente fazendo um diário de bordo: anotações sobre personagens, conflitos e mensagens principais.

Aula 3 – Debate crítico

·        Discussão orientada:

*     Quem são as Agojie?

*     Como o filme apresenta a escravidão e o colonialismo?

*     Que paralelos podemos fazer com as mulheres negras na história do Brasil?

*     Quais mulheres negras se destacaram na História do Brasil?

·        Produção coletiva em cartaz ou post carrossel no Instagram: “Resistência e protagonismo feminino ontem e hoje”.

Aula 4 – Pesquisa e conexões

·        Grupos temáticos pesquisam usando celular pessoal, tablet ou computadores da escola (se houver):

1.     Reino do Daomé e Agojie.

2.     Mulheres negras na resistência no Brasil (Dandara, Aqualtune, Luísa Mahin);

3.     Representação da África no cinema;

4.     Narrativas coloniais e “histórias únicas”;

5.     Reinos e impérios africanos mais conhecidos.

·        Apresentação em seminário curto ou mural.

Aula 5 – Produção final

·        Cada estudante escolhe um formato de produção:

o   Resenha crítica escrita;

o   Artigo de opinião;

o   Texto dissertativo-argumentativo;

o   Texto narrativo:O que aprendi com A Mulher Rei

o   Poema;

o    Ilustração ou performance sobre protagonismo feminino negro.

·        Compartilhamento das produções em exposição ou apresentação no auditório, quadra ou pátio da escola.

Avaliação

A avaliação será processual e formativa, considerando:

·        Participação: envolvimento em debates, respeito à fala dos colegas, colaboração nos grupos.

·        Registros individuais: anotações no diário de bordo, reflexões pessoais.

·        Produção coletiva: qualidade e criticidade dos painéis/murais/grupos de pesquisa.

·        Produção final: clareza de ideias, criatividade e relação com os temas (resenha, carta, poema, ilustração etc.).

·        Atitude cidadã: capacidade de relacionar o filme à realidade brasileira e refletir sobre igualdade de gênero e étnico-racial.

REFERENCIAS

 

BAHIA. Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC-BAHIA). Minha África Brasileira e Povos Indígenas. Cotia, SP: Opetus Editora,2023. Coleção didática para Ensino Fundamental e Médio, capítulo 3, paginas 34 e 35.

DAVIS, Gina (dir.). A Mulher Rei (The Woman King). Estados Unidos: TriStar Pictures; Sony Pictures, 2022. 1 filme (135 min), son., color.



[1] BAHIA. Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC-BAHIA). Minha África Brasileira e Povos Indígenas. Cotia, SP: Opetus Editora,2023. Coleção didática para Ensino Fundamental e Médio, capítulo 3, páginas 34 e 35


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