Você já parou para pensar se o PPP (Projeto Político-Pedagógico) da sua escola realmente conversa com a realidade da comunidade quilombola onde ela está inserida? Ou se o plano de curso da sua disciplina inclui vozes, histórias e saberes quilombolas?
Se ainda não, essa é uma excelente oportunidade para repensar sua prática e fortalecer uma educação mais justa, plural e antirracista.
Por onde começar?
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola
(Resolução CNE/CEB nº 08/2012) apontam caminhos importantes para quem deseja
construir uma escola que valorize a cultura, os saberes e a história das
comunidades quilombolas. Elas nos convidam a:
· Construir currículos contextualizados, que façam sentido para os estudantes e dialoguem com o território;
· Garantir a participação da comunidade na gestão escolar;
· Valorizar a oralidade, a memória coletiva e as tradições locais;
· Investir em formação docente específica e continuada;
· Pensar em avaliações que respeitem as realidades locais.
E o seu PPP?
O PPP é o coração da escola — é nele que estão os princípios que orientam todas
as ações pedagógicas. Incluir a educação quilombola e antirracista
nesse documento significa:
· Diagnosticar a realidade local e reconhecer a identidade quilombola da comunidade;
· Incluir práticas e conteúdos que combatam o racismo e valorizem as culturas negras e africanas;
· Garantir que a comunidade quilombola participe ativamente das decisões da escola.
Dica prática: reúna o coletivo pedagógico e revisem o PPP. Perguntem-se: as Diretrizes da Educação Escolar Quilombola estão realmente presentes? Onde podemos melhorar?
Revisitando o Plano de Curso
O plano de curso é outro instrumento fundamental. Ele organiza o que será trabalhado ao longo do ano — e deve refletir um olhar antirracista e de valorização da diversidade.
Algumas perguntas que podem guiar essa revisão:
· Estou incluindo autores e autoras negras nas leituras e atividades?
· Minhas propostas de aula valorizam os saberes e modos de vida quilombolas?
· Como posso abordar ancestralidade, cultura afro-brasileira e combate ao racismo nas minhas aulas?
Proposta de
exercício individual:
Pegue seu plano de curso atual e analise com cuidado:
· Onde posso inserir conteúdos que dialoguem com a história e cultura quilombola?
· As referências teóricas e bibliográficas que utilizo refletem essa diversidade?
A educação escolar quilombola não é um anexo do currículo — ela é parte viva dele. Quando trazemos os saberes quilombolas para a sala de aula, fortalecemos a identidade dos estudantes, promovemos o respeito à diversidade e contribuímos para uma sociedade mais justa e consciente de suas raízes.
Que tal começar essa revisão hoje? Sua escola (e seus estudantes) agradecem!
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