É preciso esclarecer que quando falamos da educação para comunidades quilombolas, precisamos compreender que uma coisa é a Educação Quilombola e outra é a Educação Escolar Quilombola. A primeira expressão pode ser compreendida como um termo que designa um processo de caráter mais amplo que acontece no interior das comunidades quilombolas, não se limitando, portanto, ao espaço escolar, mas articulado ao cotidiano, às tradições e aos modos de vida quilombolas.
Essa Educação Quilombola, conforme esclarece Gomes (2017), é resultado da luta histórica dessas populações pela valorização de seus saberes e pela transmissão de memórias ancestrais e pelo fortalecimento da identidade negra e quilombola. Trata-se de uma prática educativa comunitária, que não está circunscrita ou limitada às fronteiras institucionais e assume caráter político, cultural e emancipatório.
Já a Educação Escolar Quilombola corresponde à institucionalização desse direito no âmbito da escola, normatizada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais específicas (Resolução CNE/CEB n.º 8/2012). É, portanto, um saber que é construído em ambientes formais de ensino. Essa educação, conforme preconiza Arroyo (2012), deve se constituir como um território pedagógico que reconheça os saberes das comunidades quilombolas e garanta políticas públicas de acesso, permanência e qualidade. Nesse sentido, a educação escolar quilombola é uma modalidade da educação básica brasileira, distinta da educação quilombola comunitária, mas articulada a ela, pois deve levar em conta a especificidade cultural e histórica dos quilombos.
Portanto, a diferença central está no fato de que a educação quilombola se refere ao processo formativo amplo, vivenciado no interior das comunidades a partir de suas práticas socioculturais, enquanto a educação escolar quilombola diz respeito ao espaço institucional e formal de ensino, orientado por políticas públicas e legislações específicas.
Munanga (2004), ao discorrer sobre o tema aqui discutido, pondera que quando a escola incorpora os valores e conhecimentos da tradição quilombola, fortalece a identidade e combate o racismo, aproximando-se de uma educação decolonial e antirracista. Assim, ambas se complementam, sendo a educação quilombola mais ampla e comunitária, e a educação escolar quilombola uma dimensão regulamentada do sistema educacional brasileiro.
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