Gente, tenho indicado varios filmes que falam da interseção ente o racismo e o sexismo. E nessa seara não posso deixar de fora o filme Estrelas Além do Tempo[1] (Hidden Figures, 2016), dirigido por Theodore Melfi. Nesse filme nós conhecemos a trajetória de três mulheres negras (Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson) que trabalharam na NASA durante a corrida espacial nos anos 1960, ou seja, num período marcado pela segregação racial e pela desigualdade de gênero nos Estados Unidos.
Esse filme também é baseado em fatos reais e revela como essas cientistas desafiaram barreiras impostas tanto pela cor da pele quanto pelo fato de serem mulheres, contribuindo de forma decisiva para o sucesso das missões espaciais norte-americanas. A narrativa, sensível e inspiradora, resgata uma história invisibilizada pela historiografia tradicional, dando protagonismo a personagens que costumam ser deixadas à margem.
É uma produção muito rica, cujo enredo vai muito além da questão científica: ele expõe as estruturas racistas e machistas presentes em instituições de prestígio, mostrando como o talento e a inteligência dessas mulheres foram constantemente subestimados.
Há cenas fortes, impactantes, como a que mostra Katherine atravessando uma área enorme para usar o banheiro “destinado aos negros”, revelando assim, a violência cotidiana sofrida por essas mulheres negras. O filme, portanto, é um convite à reflexão sobre como o racismo e o sexismo atuam de forma interseccional, negando oportunidades e reconhecimento a pessoas negras, especialmente mulheres.
Em sala de aula, Estrelas Além do Tempo pode ser um poderoso instrumento pedagógico para fomentar discussões sobre racismo estrutural, igualdade de gênero e representatividade nas áreas de ciência e tecnologia. Nós professores podemos utilizá-lo como ponto de partida para debater o apagamento histórico das contribuições de pessoas negras, incentivar meninas a se interessarem pelas ciências e promover reflexões sobre os avanços e desafios ainda presentes na luta por equidade. Assim, o filme ultrapassa o entretenimento e se transforma em uma ferramenta educativa para construir uma consciência crítica e antirracista.

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